Poesia: Solidão

Ela chegou num dia nevoento
Talvez trazida pelo próprio vento
só, trêmula de frio…
Abri-lhe a porta, dei-lhe meu abrigo,
como se faz a um verdadeiro amigo
e, em meu sofá dormiu.

No dia seguinte logo de manhã,
pedi, na condição de anfitriã:
seu nome e de onde vinha…
– Eu sou a solidão, foi a resposta,
não tenho onde morar, ninguém me gosta
e ando sempre sozinha.

Com a escusa de não ter onde morar,
aos poucos tomou conta do meu lar,
e nele foi ficando…
Companheira cruel das minhas noites,
parece um vendaval com seus açoites,
sempre me torturando.

Ela chegou num dia nevoento,
Talvez trazida pelo próprio vento,
ou por um furacão…
Á sua “sozinhez” ninguém resiste,
só quem a hospeda sabe como é triste
a tal de solidão!!!


Antonio Valentim Rufatto nasceu e 14 de março de 1931 em Itapuí (SP). É bancário aposentado.