A Caverna

José Saramago é um dos maiores escritores do mundo. Autor de diversas obras, é responsável pelo reconhecimento da prosa no cenário internacional. E a Dica de Leitura de hoje é a obra A Caverna, lançada no ano de 2000, que difere de todos os outros livros de Saramago.

Na história, um oleiro, um guarda, duas mulheres e um cão muito humano circulam pelo “Centro”, um monumento do consumo onde todos os moradores utilizam crachás, vivem vigiados por câmeras de segurança e estão proibidos de abrir as janelas. O sr Cipriano trabalhava vendendo louça artesanal produzida por ele mesmo, porém agora no Centro todos os moradores preferem produtos de plástico, o que o deixa sem emprego. Dessa forma, ele também passa a morar no local, a convite do genro, o senhor Marçal que trabalha como guarda. Porém, após driblar toda a segurança, um grupo faz uma descoberta magnífica nos subsolos do Centro que pode causar uma revolução.

Esta é uma versão moderna do Mito da Caverna de Platão, que estudamos nas aulas de sociologia. Dessa forma, Saramago traz uma visão cruel do que o capitalismo e a tecnologia pode trazer para a sociedade.

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Memorial do Convento

Em Memorial do Convento, um dos maiores autores da literatura contemporânea José Saramago, conta a história da construção de um convento em Mafra. Os personagens Baltasar Sete-sóis, um soldado maneta, e sua esposa Blimunda, uma mulher que tem o poder de ver o interior das pessoas e das coisas, representam os trabalhadores da obra e aqueles que sofreram a imposição cristã que perseguia tudo aquilo que era diferente do que se era pregado na igreja. Dessa maneira, o autor faz uma crítica social a exploração do trabalho e da mão de obra, que construía grandes e imponentes monumentos e não recebia mérito nenhum por isso, pelo contrário, todo reconhecimento era dado à corte e ao clero.

Um dos diferenciais do livro é a facilidade do autor em entender o que se passa na alma feminina. Um exemplo disso é que após ler, a jornalista Pilar passou a presentear todas as suas amigas com a obra. Assim, ela se apaixonou por ele e os dois se casaram e assim permaneceram até a morte de Saramago, em 2010.

Saramago é um escritor português vencedor do prêmio Camões, em 1995 e do prêmio Nobel de literatura em 1998. Ele é conhecido por escrever obras que se caracterizam como verdadeiras obras-primas para a literatura, porém, sua escrita difícil e requintada pode muitas vezes fazer os leitores não quererem dar continuidade a leitura.

Ensaio sobre a Cegueira (1995)

Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.

E assim começa o romance de José Saramago, consagrado escritor português que conquistou os maiores prêmios literários durante sua carreira, inclusive o Prêmio Nobel, em 1998. Ensaio sobre a Cegueira foi adaptado para o cinema sob a direção de Fernando Meirelles e teve sua grande estreia no Festival de Cannes, em 2008.

Em um cruzamento, um motorista parado no farol subitamente fica cego. Esse foi o primeiro caso da epidemia de cegueira desencadeada na grande cidade. Após o incidente, todos que tiveram contato direto com o motorista, descobrem-se cegos (o ladrão que o rouba o carro ao “ajudá-lo” a chegar em casa, sua esposa, o médico e seus pacientes, entre outros personagens) e são isolados em quarentena.

O livro é angustiante. A maneira que Saramago escreve lhe coloca facilmente no lugar do cego. Sentir sua insegurança e sofrimento é algo tão “tangível” que nos deixa desamparados. Ao mesmo tempo que mostra as diferentes formas de lidar com a inesperada deficiência, Saramago também desenvolve a grande responsabilidade daqueles que conseguem ver quando outros não enxergam.