O Sol na Cabeça

A Dica de Literatura de hoje é o livro O Sol na Cabeça, do autor brasileiro Geovani Martins. A obra é um verdadeiro fenômeno e já foi vendido para 8 países. Por meio de uma linguagem bem informal, Geovani consegue fazer o leitor sentir que está nas ruas do Rio de Janeiro!

O Sol na Cabeça reúne vários contos que retratam a realidade e a rotina dos morros da cidade maravilhosa. O autor não tem medo de tocar em alguns assuntos que muitas vezes são vistos como tabus na nossa sociedade, como violência policial, intolerância religiosa, tráfico de drogas, morte, entre outros. Para muitos, essa realidade é muito distante, mas no livro o autor traz personagens que diminuem essa distância.

Geovani tem 27 anos, nasceu em Bangu, no Rio de Janeiro e já morou nas favelas da Rocinha e Barreira do Vasco. Atualmente, mora no Vidigal. Estudou apenas até a oitava série e já trabalhou como homem-placa e atendente de lanchonete. Uma verdadeira história de superação!

Felicidade Clandestina

A Dica Literária desta semana é a obra Felicidade Clandestina, da renomada autora Clarice Lispector. A obra foi lançada em 1998 e reúne 25 contos da brasileira, falecida em 1977. Por meio de obras muito bem elaboradas, Clarice propõe que o leitor discuta sobre temas como a existência humana, amadurecimento e família, a partir de pequenas coisas, como um ovo.

Dentre os contos apresentados, o conto homônimo ao título do livro apresenta uma garota que é apaixonada por literatura, mas que se vê humilhada por parte da filha do livreiro, que lhe prometeu emprestar um livro do autor Machado de Assis. Sabendo que a garota está muito interessada no livro, a filha do livreiro inicia um método de tortura chamado “tortura chinesa” e a partir daí Lispector propõe a reflexão.

Clarice Lispector, oficialmente chamada por Chaya Pinkhasovna Lispector, foi escritora e jornalista de origem ucraniana e naturalizada brasileira. Ela é considerada uma das escritoras mais influentes do século XX.

Canção de Ninar

Lançado em 2018, Canção de Ninar, da autora Leila Slimani, é a nossa Dica de Literatura de hoje. Este Thriller Psicológico promete prender o leitor do começo ao fim. O livro já começa de uma maneira bem diferente: a primeira linha já conta o final da história.

No livro, Myriam e Paul formam um casal jovem, com dois filhos: Adam e Mila. Após uma discussão, eles resolvem contratar uma babá para ajudar com as crianças. Assim, eles encontram Louise, uma senhora de quase 50 anos, com muita disposição. Logo, a babá se mostra muito eficiente em todos os afazeres da casa e cuidando das crianças. Porém, aos poucos, o casal nota algumas atitudes suspeitas. Louise, com medo de perder o emprego, desenvolve uma obsessão pelo casal e pelos filhos.

Além de um livro de mistério, a autora propõe com sua história discussões sobre temas como preconceito de classe, racismo, imigração e a exploração por parte da classe média. Se você se interessa, vale a pena a leitura!

Semente de Bruxa

A Dica de Literatura de hoje é o livro Semente de Bruxa, da autora canadense Margaret Atwood, autora do famoso livro “O conto de Aia”, que originou a série com o mesmo nome. Por conta de sua fama, a Semente de Bruxa, lançado em 2018, deixou o público com uma grande expectativa. E mais uma vez Atwood foi além do esperado.

No livro, o público acompanha a história de Felix, um diretor de teatro que é passado para trás e depois de 12 anos consegue se vingar. Enquanto planeja a vingança, ele tem de aprender a lidar com seus problemas, como a morte de sua filhinha. A obra é uma releitura do livro “A Tempestade de Shakespeare”, sob a visão de Felix.

Para aqueles que não conhecem a obra de Shakespeare, no final do livro, há um resumo. Mas para um melhor aproveitamento, recomendá-se ler A Tempestade de Shakespeare na íntegra, até para pegar as referências.

Boa leitura!

O Dilema do Porco Espinho

Leandro Karnal é um dos maiores intelectuais brasileiros e no livro “O Dilema do Porco Espinho”, lançado em 2018, o autor discute um tema cada vez mais presente no mundo contemporâneo: a solidão.

Na obra, a partir de referências de filósofos, da Bíblia, da história e de romances, Karnal traz uma reflexão sobre o tema. Ele traz a perspectiva da solidão na literatura, no cinema, na música e na religião. Em uma sociedade cada vez mais “liquida”, o autor analisa como a solidão se revela no mundo virtual e os impactos do isolamento.

Karnal escreveu este livro como um ensaio pessoal, visto que ele sempre esteve acompanhado da solidão. Nesta obra, ele convida o leitor a acompanhar seus pensamentos e deixar a solidão de lado.

Toda Poesia

Paulo Leminski é um autor brasileiro muito consagrado, conhecido por sua capacidade de falar sobre diversos temas, como o amor, a morte, o sofrimento, o cotidiano. E a obra “Toda Poesia” é uma coletânea de vários poemas publicados pelo autor em seus livros “Quarenta Clics em Curitiba” (1976), “Caprichos & Relaxos” (1983), “Distraídos Venceremos” (1987) – última obra poética publicada em vida –,“La Vie en Close” (1991), “O Ex-Estranho” (1996), “Winterverno” (2001) e “Poemas Esparsos”, sendo os três últimos publicados após a sua morte.

Os textos são curtos, mas carregados de significância e profundidade. A edição do livro é muito bem feita, cada poema recebe uma tipografia diferente e a obra é feita para ser apreciada. Cada poema merece uma dedicação especial. Os amantes de poesia não podem deixar de ler esta grande obra de arte.

Eleanor & Park

A nossa Dica Literária é a obra Eleanor & Park, livro de Rainbow Rowell, que já conquistou não só adolescentes e jovens, mas também grandes autores como John Green, responsável pelo sucesso “A Culpa é das Estrelas”, que em sua resenha para o “The New York Times Book Review” escreveu: “Eleanor & Park me lembrou não apenas de como é ser jovem e estar apaixonado por uma garota, mas também de como é ser jovem e estar apaixonado por um livro”.

Bem diferente do romance jovem que estamos acostumados, a obra traz a história de um casal que para muitos é improvável, pois os envolvidos não têm nada em comum. Eleanor é uma garota ruiva, considerada gorda e estranha por todos. Park é um garoto mestiço asiático que faz a linha nerd. Os dois têm 16 anos e vivem aventuras típicas de adolescentes, como conflito com os pais, bullying e descobertas. Eles se conhecem no primeiro dia de aula e a convivência passa a se tornar um hábito. O que começa na amizade, com trocas de referências musicais e de leituras, logo evolui para um romance.

O livro faz o leitor retornar aos sentimentos do primeiro amor. O nervoso, o frio na barriga, a vontade de sempre estar perto e o pensamento 24h na pessoa. Em 2014, a Dreamworks adquiriu os direitos do livro. A autora já tem trabalho no roteiro, porém ainda não há data definida para o lançamento. Aguardamos ansiosamente!

Pequenos incêndios por toda parte

Após o sucesso de “Tudo o que não contei”, Celeste Ng retorna com mais uma obra: “Pequenos incêndios por toda parte”, nossa Dica de Literatura de hoje. O livro foi lançado em 2018 e já conquistou muitos fã pelo mundo.

Na história, Mia Harren se mudou com a filha para Sharker Heights, depois de um longo período pulando de um lugar para outro. Porém ela reconhece a necessidade de criar uma estabilidade e assim decide morar no apartamento alugado da família Richardson. Só que ela nem imagina o tanto que suas vidas vão se interligar. Porém o passado começa a influenciar na convivência de todos.

O livro é carregado de sensibilidade. Os problemas que o cotidiano familiar podem trazer, a maternidade, a pressão sofrida pelas mulheres são alguns dos temas trazidos na obra. Com certeza o leitor vai se surprender.

Todo Dia a Mesma Noite: a história não contada da boate Kiss

Tragédias sempre deixam marcas, não só nas vítimas, mas em toda a nação. Ainda mais quando são desencadeadas pela irresponsabilidade e negligência de pessoas que possuem poder. Uma dessas tragédias é o incêndio ocorrido na boate Kiss, no ano de 2013, em Santa Maria, Rio Grande do sul, que matou 242 pessoas e feriu 680. E é sobre este ocorrido que o livro Todo Dia a Mesma Noite trata.

O livro conta não só os fatos, que foi bastante explorado pela mídia, mas uma visão mais humanizada, dando nome, sobrenome, história e passado às vítimas. Apresentar também aos leitores os traumas deixados nos sobreviventes, nas famílias das vítimas e nos profissionais envolvidos.

“Na prática, a Kiss ficou aberta durante 41 meses e 27 dias. Nesse período, por 31 meses funcionou sem o Alvará Sanitário, incluindo o dia da tragédia. Por vinte meses, funcionou sem a Licença de Operação Ambiental. Por dezessete meses, funcionou sem o Alvará de Prevenção e Proteção Contra Incêndio. Por sete meses, funcionou sem o Alvará de Localização”. (pág.198)

Daniela Arbex consegue sintetizar a negligência dos empresários, dos políticos, da sociedade civil, os processos na justiça e a destruição na vida daqueles que perderam seus entes. A proposta é conscientizar sobre os riscos e para evitar que uma tragédia desse tipo volte acontecer.

O Pai da Menina Morta

O autor Tiago Ferro compartilhou seu luto com o público em sua obra “O Pai da Menina Morta”, nossa Dica Literária de hoje. Tiago perdeu sua filha de oito anos, Manu, vítima de complicações decorrentes de uma gripe Influenza B, na época de um surto do tipo mais agressivo da gripe, a H1N1. A história tomou grandes proporções, o que obrigou o pai a se pronunciar, primeio por meio de post´s no Facebook e um mês após o ocorrido, por meio do comovente texto “Não era mais terça-feira, mas também não era quarta”, foi publicado na revista Piauí.

Após dois anos da morte, Tiago escreveu a ficção. Na obra, todos os personagens não tem nome, com exceção da mãe Lina. Alguns aparecem denonimados com a inicial, outros com o papel que desempenham na história, como “Minha filha” e “Minha outra filha”. O autor descreve todo seu momento de perda de rumo, muitas vezes não conseguindo nem definir sua identidade, se tornando apenas o pai da menina morta.

Em algumas entrevistas, o autor disse que o livro foi escrito na transição do momento mais agudo da dor para a reconexão, uma readaptação ao mundo exterior. Com o formato de um diário, ele nos apresenta o passado, o presente e o futuro sob sua perspectiva.