A Insustentável Leveza do Ser

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O livro A Insustentável Leveza do Ser foi escrito em 1984 pelo autor tcheco Milan Kundera. Em 1988, a obra foi adaptada para o cinema sob o título The Unbearable Lightness of Being, do diretor Philip Kaufman.

A história começa em Praga e em Zurique no ano de 1968, passando por algumas décadas e envolve quatro pessoas em suas relações amorosas: Tomás, Teresa, Sabina e Franz.

Tomás é um homem livre, bonito, jovem e médico que não possui dificuldade em se aventurar amorosamente, mas não se apega a ninguém. Ele, ocasionalmente, se encontra com Sabina para fazer amor, mas sem apegos emocionais. Até que Tomás conhece Teresa, uma moça que trabalha em um bar que ele frequenta. Ao vê-lo em meio a tantos bêbados, a garota o nota com um livro na mão e logo se encanta. O moço, então, lhe passa seu endereço, mas sem perspectiva que ela vá procurá-lo. Para surpresa dele, algum tempo depois, Teresa vai ao seu encontro e se instala em sua casa, ameaçando a sua liberdade.

O autor é conhecido pela forma como ele trata o tema amor. De característica filosófica, Milan propõe que o leitor repense suas atitudes acerca do assunto. Vale a pena conferir!


Quanto mais pesado o fardo, mais próxima da terra está a nossa vida, e mais ela é real e verdadeira. Por outro lado, a ausência total de fardo faz com que o ser humano se torne mais leve do que o ar, com que ele voe, se distancie da terra, do ser terrestre, faz com que ele se torne semirreal, que seus movimentos sejam tão livres quanto insignificantes. Então, o que escolher? O peso ou a leveza?”

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Comer, Rezar, Amar

“É melhor viver o seu próprio destino de forma imperfeita do que viver a imitação da vida de outra pessoa com perfeição.”

O filmeZZ46F7C2B8 Comer, Rezar, Amar é uma adaptação do livro que leva o mesmo nome. Em sua semana de estreia, arrecadou cerca 3,5 bilhões de dólares.

O longa conta a história real de Elizabeth Guilbert (Julia Roberts) em busca do autoconhecimento, depois que todos os seus relacionamentos amorosos fracassaram. Para isso, ela parte viajando pela Itália, pela índia e pela Indónesia durante um ano (apenas países que começam com a letra I, em inglês o pronome pessoal “I” significa “eu”).

Em cada um dos países, Elizabeth explora um tema. Na Itália, descobre os prazeres de comer sem pesar a mente, depois de emagrecer vários quilos por conta do sofrimento. Na Índia, descobre o poder da fé, da meditação e do conhecimento interior. Na Indonésia, em Bali, a protagonista descobre o amor, quando conhece o brasileiro Felipe e uma curandeira e sua filha.

Dia dos Pais

Dia 9 de agosto será comemorada uma data muito especial: o dia dos pais. Na imagem da semana de hoje, selecionamos algumas fotos de pais e filhos em momentos de descontração e carinho dentro de nossas unidades.

O Satélite deseja que todos os pais tenham um ótimo dia, seja perto ou longe dos seus filhos, independente de serem grandes ou pequenos. E que as sedes sejam sempre um lugar para unir as famílias em momentos de descontração e sorrisos.

Feliz dia dos pais!

O fruto permitido

Vera Lúcia de Angelis

Cheiro de frutas se misturando na madrugada. Portas fechadas. O pêssego e a manga disputam maior evidência. Me atacam libidinosamente. O estômago ronca de vontade. Na escuridão, imagino todas elas se abraçando nas fruteiras. Uma de cada lado do caminho largo da cozinha. Ameixas, nectarinas e as cotidianas: banana, laranja e mamão. Eu, que as procuro somente em caso de sede, me delicio com a salada de cheiros. Frutas de festa. Fim de ano. Dezembro.

Saio de uma confraternização, entro em outra. A ressaca implora o sumo. Néctar descendo pela garganta e pelo queixo da boca desajeitada. Necessidade de lamber os dedos e inclinar o corpo para evitar o desastre de manchar a roupa nova.

Mas resisto. É hora de dormir e preparar o estômago para o café das 11 horas. Depois, almoço, compras e mais três festas neste sábado já pela metade.

O estômago ronca, os olhos marejam. Sono.

Balanço num pé de pêssegos. Estão verdes e altos, mas o cheiro inunda a tarde ensolarada.

Para frente e para trás. Vai doer o pescoço se eu deixar a cabeça pendendo para trás o tempo todo. Gostoso ver o céu no meio da árvore. Os arbustos mudam de forma assumindo o papel de vários rostos que me observam lá de cima. Todos comendo pêssegos.

-Quer um pedaço?

-Não, obrigada.

As cordas do balanço apertam minhas nádegas. Tornou-se pequeno para uma mulher beirando os 40 anos. Não consigo descer. Estou presa. Dedos finos erguem meu queixo para a posição anterior. Deus. Meu pai. Agora minha mãe, no fogão, suando muito. Depois, meus amantes, num desfile cronológico. Escurece.

Cheiro de casa pintada recentemente. Frango assado de véspera de Natal. Não gostamos de peru em casa. Mas ainda é cedo. Ainda não chegaram as uvas no mercado. Desço do balanço, finalmente, para ir até minha casa.

O terreno está vazio. Restam garrafas de champanhe, vazias. Quero voltar para o cheiro de pêssego, mas alguém segura meu braço, passa a mão no meu pescoço e me beija violentamente. O ar me escapa.

Desperto na areia de um rio. Minha roupa de festa amassada. Calça pantalona, acetinada, branca de Réveillon. Já passou? Blusa champanhe, cavada, com botões forrados do mesmo cetim da calça. Sapatos de salto moderado, porém fino. Nada de brincos, a não ser o incômodo de quem acaba de tirá-los. Pressão nos lóbulos róseos.

Levanto do chão molhado. Orvalho. Uma mão me ajuda. Olhos nos olhos. Quem é ele? Papai Noel castanho para combinar com meu cabelo negro. Seu rosto tem mil imagens, como o pessegueiro. Reviravoltas e ele assume a revelação de uma só paixão. Atual e consagrada.

– É ele quem eu amo.

Eu já sabia e não me dizia. Em carne e osso a constatação. Ele ausente. Quem sabe do outro lado do rio? Atravesso sem barco, nem nado. Por milagre. Uma casa enorme me espera. Luzes de vela, fitas e bolas de natal nas janelas. Um anjo me abre a porta. Cabelos negros, longos e um gesto zen.

–Seja bem-vinda. Toque o sino antes de entrar.

Acendo uma vela a um desejo, guardado no ritual da cera quente.

– É ele quem eu amo. A ele desejo felicidade.

Abandono a festa com uma flor na mão. Ninguém me espera no jardim de guirlandas e camélias. Alguma coisa roça a minha perna na caminhada. Uma saia de crepe vermelho, rodada até os tornozelos. Quem me vestiu assim? Rosa no cabelo, sou bela e morena.

A mão de um bailarino me leva ao sonho flamenco. Carmen e castanholas. A emoção me congela. Paro e assisto. O cabelo longo, a cabeça olhando os pés na curva da dança. É o anjo com sotaque espanhol, em seu corpo vigoroso. Toureiro do meu amor, é como um filme. Me derrota, me apunhala com sua espada de ouro. O sangue jorra dentro de mim em rios caudalosos de febre e paixão.

– É ele quem eu amo.

Mas não há beijos. Desapareço para a valsa de um casebre abandonado. Nada de rios. Pastagens. Porcos e frutas, de novo. Jaqueira no sítio abandonado. Romantismo nenhum nessa fruta gigantesca. Grotesca. O cheiro me enjoa. Quero o pêssego. Amo o amarelo das frutas: damasco, orvalho, laranja. Passa um moleque lambuzado de manga.

– Onde a mangueira?

Ele não responde. Desisto. Barulho de panelas dentro de casa. Quem sabe minha avó, bonachona e roliça, em seu avental de natal. O caseiro, de costas, acendendo o forno a lenha. No tacho, o queijo branco esperando descanso. Vira-se para mim com um ar nem um pouco rude. É o anjo. O sorriso da festa. Magia.

– Bom dia

Meu coração pula. Mais ninguém por perto e a sua mão na minha. Cheiro de galinha assada e molho com cebola. Sua boca cheira pêssego, eu sei, mas não sinto. Se afasta de mim. Não está mais ali. Está num jardim de rosas e leões de pedra, dançando uma valsa. Traz alguém pela mão, vestido em branco. Lindo. Não vejo meu cabelo nem meu corpo rodeado por seus braços. Mera espectadora de um amor que brota nessa noite quente. É meia-noite. Eles se beijam. Na virada do ano o casal rodopia. Uma próxima volta e vejo o rosto do amante. Um garoto moreno e pele alva. Cheira a leite e juventude.

Tropeço no pé de uma estátua branca. Uma mulher grega olhando o céu. Em sua mão aberta colocaram algo: um pêssego. Seu perfume me atrai, finalmente. Devoro-o, deliciosamente, como o primeiro no mundo. Cai a chuva de verão e se mistura com o néctar no meu pescoço. Seios, ventre. Os segredos do meu sexo espalhados pelo corpo, como o sumo dos deuses. O fruto do amor que me alivia e recupera.

Desperto com o perfume da fruta me invadindo. Adormecera com a cabeça apoiada na fruteira. Esqueço as obrigações de dezembro. Deixo o relógio correr à vontade. Faca na mão. Para quê?

A primeira mordida molha toda a minha boca e escorre dos cantos pela garganta afora. Falta somente a chuva do sonho. Amor tenho de sobra. Será?

Crônica: Você Gosta de Amora ?

Saulo Soares Monteiro de Carvalho

Vou contar ao seu pai que você namora? Não, não contarei. Eu prometo. Enfim, somos cúmplices confidentes!

Com o passar dos anos e o preço da maça argentina, a amora, definitivamente, é o fruto proibido, pecaminoso. Ainda que de um pecado mais parecido com o perdão.

Aqui em casa tem uma amoreira no quintal. Amoreira de frutas pequenas e doces, tais como as lembranças da minha infância. Nos meus tempos de menino era frondosa e gratuita como uma mãe! Dava balanço, destemor das alturas e passarinhos.

Estamos no princípio da primavera, um domingo, e eu acho que vai chover. O som da chuva escorre pelas alhas da Matriz. é de embalar qualquer um! Minha amoreira está envelhecida, coberta de erva de passarinho mas, mesma assim, o chão ao seu redor está ruborizado. O chão do chão, o chão da casa, o chão do meu peito.

Os moleques não roubam mais amoras, não pedem, não sobem, nem descem. Aquele segredinho risonho que liga a amora ao amor, ao namoro, não enchem os olhos dos garotos de hoje, não macha suas roupas nem suja os seus dentes com o doce batom.

Seria amora o feminino do amor? Não sei. Agora chove e o som da chuva mai me parece uma caixinha de música, daquelas com bailarinas de rotação e translação. Minha amoreira, minha bailarina de purpurina vermelha, de sapatilhas encravadas na terra, de movimentos suaves á brisa e condizentes com meus olhos!

Tu gosta de mim e dos meus frutos, amoreira da minha vida? Então, façamos um trato: não contes ao meu pai que eu namoro, que eu não conto ao teu que fazes poesia!


Saulo Soares Monteiro de Carvalho é bancário, nasceu em 24 de abril de 1968 em Piraí (RJ), cidade onde vive.