Jurassic World

No dia 11 de junho aconteceu a estreia do quarto filme da franquia de Jurassic Park, que leva o nome de Jurassic World – o mundo dos dinossauros. Diferente do que aconteceu nos outros filmes, Steven Spielberg tomou a decisão de não participar da direção, mas atuar como produtor-executivo. O filme está entre as cinco maiores bilheterias mundiais por atingido a marca de R$ 1.385 bilhões. Além disso, conquistou o título de maior arrecadação em estreia da história do cinema com 511 milhões de dólares.

No filme, o parque dos dinossauros finalmente é aberto ao público. Como a maioria dos dinossauros agora está domesticada, as pessoas podem participar de atividades próximas aos animais e assistir a shows acrobáticos. Por dez anos o parque é um sucesso, mas uma queda no público visitante faz com que a equipe de geneticistas, na busca por atrair a atenção das pessoas, realize um experimento que mistura o DNA de quatro tipos de dinossauros e outros tipos de animais. A partir daí, nasce uma criatura feroz que, impulsionada por seus instintos e por nunca ter tido qualquer contato fora de seu isolamento, ataca e aterroriza os visitantes e funcionários.

A partir disso, a doutora Claire (Bryce Dallas Howard) e o treinador Owen (Chris Pratt) com a ajuda dos irmãos Gray (Ty Simpkins) e Zach (Nick Robinson) têm a missão de restabelecer o controle no parque.

Mantendo a linha inteligente dos filmes anteriores, seus efeitos especiais, sua trilha sonora, suas produções gráficas e fazendo diversas referências ao primeiro filme da saga, Jurassic World não perde em nada para as outras edições. A escolha de não usar os mesmos atores partiu do diretor Collin Trevorrow com a justificativa de respeitar os “antecessores” e não conseguir enxergar motivos para eles voltarem à ilha.

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Loba

Luiz Eduardo Hoffmann

Só quem me toca a fundo
pode saber
a quantos rios me transbordo
ao molhar tuas margens de sol

Só quem me toca assim
tão calor ao me respirar
me faz pensar algodão
teu jeito algodão de me olhar

Só quem me redemoinha em tantos sons
me faz teu cavalheiro
bons ventos que venham incendiar
nossas bocas nossa pele nossa alma
até o osso

Só quem me toca tão loba
me faz uivar luas em teu corpo
me faz navegar como bom barqueiro
o nosso velho rio chamado amor

A cidade do sol

“Atenção mulheres: vocês deverão permanecer em casa. Não é adequado uma mulher circular pelas ruas sem estar indo a um local determinado. Quem sair de casa deverá se fazer acompanhar de um mahram, um parente de sexo masculino. A mulher que for apanhada sozinha na rua será espancada e mandada de volta para casa”.

Depois do sucesso de críticas e vendas “O caçador de pipas”, Khaled Hosseini volta com o seu segundo livro, A cidade do sol. O livro foi lançado em 2007 e permaneceu por 21 semanas na lista do the new york times best-seller de ficção, atingindo 100 milhões de leitores.

A história tem como tema central duas mulheres afegãs que, seguindo a tradição do país, foram compradas como esposas do sapateiro Rashid. As mulheres tinham o dever de cozinhar, limpar, ter filhos e servir ao marido em todos os seus desejos com perfeição, simplesmente por serem mulheres. Quando a situação foge do controle, muitos maridos partem para a agressão, atitude socialmente aceita, já que muitos crimes, ou atos considerados crimes – como sorrir em público – são punidos com espancamentos. E nesta família não é diferente. Até que as esposas tomam uma atitude.

A maneira como o autor retrata a vida e o sofrimento das personagens Mariam e Laila faz com que o leitor sinta a dor, o sofrimento e o desespero vividos por elas. A história, mesmo sendo uma ficção, é a realidade de muitas mulheres pelo mundo inteiro e a maneira como é contada aproxima o leitor dessa realidade.

Uma linda mulher (1990)

O roteiro simples de Uma Linda Mulher (“Pretty Woman”) bastou para lançar a eterna Julia Roberts para o estrelato. Um dos maiores sucessos de bilheteria da última década do século passado (1990) contou com inúmeros efeitos da produção e fez com que a historia singela  entre Julia e Richard resultasse em uma infinidade de cenas antológicas.

Uma Linda Mulher conta a história de uma garota de programa que conhece por acaso um homem milionário, que a contrata por uma semana e acaba se apaixonando.
Nessa semana, ela tenta se transformar em uma mulher elegante para acompanhá-lo em compromissos sociais e faz tudo o que pode para agradá-lo. Daí em diante, os dois começam a se envolver e a relação, que deveria ser patrão-empregada, acaba tornando-se um relacionamento entre homem e mulher.


Edward – Você poderia ser muito mais.
Vivian – As pessoas colocam você tão para baixo que você começa a acreditar nisso.
Edward – Eu acho você muito inteligente, uma mulher muito especial.
Vivian – É mais fácil acreditar nas coisas ruins. Já percebeu isso?

Uma das maiores comédias-românticas de todos os tempos, senão a maior referência ao gênero, Uma Linda Mulher é mais um daqueles filmes atemporais. Foi amplamente bem-sucedido nas bilheterias em 1990, e rendeu a Roberts uma indicação ao Oscar.

Dica Teatral

Localizado próximo a sede social do Satélite, em São Paulo, o teatro Santo Agostinho oferece consagradas peças de teatro para todos os públicos, com destaque para comédias e infantojuvenis.

A comédia mais assistida de São Paulo, ” Casal TPM”, trata de duas pessoas que enxergam o mundo de maneiras totalmente diferentes, mas que não conseguem viver um sem o outro, enfrentando diariamente a rotina do casamento e da relação homem e mulher… uma bomba-relógio sempre prestes a explodir.

O espetáculo infantil ,”Se essa rua fosse minha” , é totalmente interativo, onde os espectadores participam todo o tempo com os atores de brincadeiras inspiradas no folclore infantil brasileiro. O espetáculo foi merecedor por duas vezes consecutivas do Prêmio Pontinhos de Cultura (Ministério da Cultura) e do Prêmio Valores do Brasil (Banco do Brasil).

Inspiradora, a peça “O monge e o executivo” conta a história de John Daily, um homem bem sucedido que percebe, de repente, que está fracassando em sua vida profissional e familiar. Desesperado para retomar o controle da situação, decide participar de um retiro de liderança. É impossível assistir esse espetáculo sem sair transformado. O Monge e o Executivo é, sobretudo, uma lição de como se tornar uma pessoa melhor.

  • Monge e o Executivo
    Terças às 20h30
    Classificação: Livre
  • Se essa rua fosse minha.
    Domingos às 16h30
    Classificação: LIVRE
  • Casal TPM
    Sábados às 22 horas
    Domingos às 18 horas
    Classificação: 12 anos

Conheça todas as peças em cartaz no teatro clicando aqui: http://www.teatrosantoagostinho.com.br/

Divertida Mente (2015)

Após um período de vacas magras, o estúdio Pixar em parceria com a Disney, retorna a sua melhor forma em Divertida Mente. Nenhum outro filme exibido no Festival de Cannes foi tão aplaudido após a sessão quanto a animação. Um longa-metragem com todo viés psicológico, que mostra o quanto todas as emoções são importante na formação de personalidade do indivíduo.

A trama tem como personagem principal Riley, uma garota divertida de 11 anos de idade, que enfrenta mudanças importantes em sua vida quando seus pais decidem deixar a sua cidade natal, no estado de Minnesota, para viver em San Francisco. Dentro do cérebro de Riley, convivem várias emoções diferentes: Alegria, Medo, Raiva, Nojinho e Tristeza.

A líder deles é Alegria, que se esforça bastante para fazer com que a vida de Riley seja sempre feliz. Entretanto, uma confusão na sala de controle faz com que ela e Tristeza sejam expelidas para fora do local. Agora, elas precisam percorrer as várias ilhas existentes nos pensamentos de Riley para que possam retornar à sala de controle. Enquanto isto não acontece, a vida da garota muda radicalmente.

Segundo o diretor Peter Docter, cada emoção é baseada em uma feição: Alegria em uma estrela, Tristeza é uma lágrima, Raiva é um tijolo, Medo é um nervo exposto e Nojinho é um brócolis. As distintas personalidades de cada emoção foram inspiradas nos anões de Branca de Neve e Os Sete Anões (1937).

Divertida Mente é o 15º longa-metragem de animação da Pixar e terceiro longa com Peter Docter – após Monstros S.A.(2001) e Up – Altas Aventuras (2009). Para aqueles que assistirão no cinema, também verão “Lava”, um curta-metragem contando a história de Uku, um vulcão apaixonado pelo amor que canta todos os dias à procura de alguém para amar e que o ame, até que encontra Lele. Enfim, é um ótimo filme pra todas as idades.

Crônica: Isabela

Elionice Lopes Borella

Paulo chega cansado como sempre. Sobe para o quarto. O calor está insuportável!
Irritado com a gravata, o suor, a gritaria das crianças na piscina e com mais alguma coisa que não sabe bem o que é, escancara a janela e quando está prestes a esbravejar… Suspende o grito, a respiração e chega e a sentir frio…

Como pode Isabela estar ali, na sua piscina, no meio dos meninos! Como teria acontecido isso? As crianças na maior intimidade como se conhecesse há muito tempo, e Isabela ali, ali entre eles, inexplicavelmente ali, na sua piscina, com seus filhos!

Com o olhar confuso Paulo acompanha Isabela deslizando na água. Linda como sempre, mais ali no meio dos meninos, parece um tanto patética. É a primeira vez que a vê assim, ao ar livre, cabelos molhados, boiando, os enormes olhos azuis espetados no azul do céu …

Paulo está ofegante e Isabela, que ridícula, parece não respirar! Dá a impressão que ela tem de permanecer imóvel para não afundar. Os meninos parecem tentar ensiná-la a nadar. Ela bóia, mas não sabe nadar. Ela bóia porque bóia, é da sua natureza. Mas nadas não sabe.
Que vergonha!

Deve ser isto, Isabela quer vingança, quer matá-lo de vergonha, único recurso que tem: o poder de humilhá-lo! E um dia tão quente… Paulo fecha os olhos para ter certeza do que vê? Isabela nua, os seios fatos chamado pelos meninos que pulam sobre ela, espalhando água e despudor por todos os lados! Isabela afunda, mas logo está de volta com seu ventre arredondado. Cada vez que afunda e volta a tona é como se surgisse pela primeira vez aos olhos de Paulo. As gargalhadas e o barulho da água parecem entorpecê-lo lentamente.
Sabe que precisa tirar Isabela dali, mas não consegue da um só passo. O corpo de Isabela passando de mão em mão parece tão leve, tão feito de nada, que não há mesmo como culpá-la. Ou é o corpo de Paulo que começa a estranhar-se, a entranhar-se, entranhar-se…

Recuperado do desmaio Paulo põe-se de pé, decidido a tirar Isabela dali. Olha pela janela. Todo aquele corpo confirma, cada pedacinho… foi feito para o sexo e ainda assim guarda algum mistério. Um mistério que vem de sua leveza feminina. Dá a impressão que, tirando-lhe a pele, não há como possuí-la. Saõ assim as mulheres. Pura impossibilidade…

Paulo está assim, em seus devaneios, quando um grito o faz estremecer. Não! Não há mais como evitar o desastre! Da janela ele assiste tudo. Marta, sua esposa, expulsando as crianças da piscina e arrastando Isabela pelos cabelos. Não há mais como evitar a vergonha e a culpa! Estático no corredor, Paulo observa Marta subindo as escadas, arrastando Isabela. Sem olhar para o marido, Marta atira Isabela sobre a cama. O corpo obsceno parece levar uma eternidade para tombar sobre e os lençóis… mas Marta leva um só segundo para saltar sobre Isabela e lhe arrancar a alma.

Paulo ficou ali parado, esperando Isabela se esvair. Por fim apalpa-lhe o peito, um último e demorado sopro… Pronto está tudo terminado.

Paulo começa a dobrar Isabela pelo pés. Sempre foi meticuloso com isso, como se cumprisse um ritual de purificação. Passo a passo, dobradura por dobradura, um origami sinistro que desfaz a forma e cria o nada. O caixaõzinho de Isabela foi lacrado com a mesma etiqueta vermelha com que veio da loja: Love Sex Shopping. Paulo foi sempre muito cuidadoso…


Eleonice Lopes Borella nasceu em São Felix (PE), em 14 de novembro de 1954, e vive em São Paulo (SP). é bancária e psicanalista.