Eu, Christiane F. – 13 Anos, Drogada e Prostituída (1981)

Assim que lançado, “Christiane F. – Wir Kinder vom Bahnhof Zoo” do diretor alemão Uli Edel foi considerado um filme cult por retratar a geração da juventude das drogas na Alemanha Ocidental da década de 1970. Seu sucesso pela Europa foi estrondoso (é o filme alemão de maior bilheteria), não só pelo fato de seu livro autobiográfico ter sido um bestseller, mas também pelas cenas de filmagens originais de David Bowie, músico britânico famoso da época.

Christiane Felscherinow é uma jovem de 13 anos que mora com sua mãe, uma divorciada que não tem muito tempo para ela. Com uma amiga, Christiane entra na Sound, a mais nova e moderna balada de Berlim, e se apaixona por Detlev, um viciado em heroína. Aos poucos, Christiane acaba entrando pro mundo das drogas e se perde no vício.

O que mais chocou o público em geral foi a maneira realista de como o filme mostra o poder destrutivo das drogas. Christiane era uma adolescente comum, sem antecedentes, que facilmente se afundou no vício e não conseguiu mais sair dele. Vale ressaltar que Christiane ainda vive, apesar da saúde debilitada por conta do uso de drogas. Ela completa 52 anos este mês e já lançou uma autobiografia atualizada: Eu, Christiane F., a vida apesar de tudo.

Anúncios

Poesia: Melhor do que Eu

de Leandro Wirz

Comprei menino a ilusão
dos velhos:
o mundo se resolveria no direito romano.
Mas aprendi que é nas arenas, não nos tribunais.
Desprezo os medíocres santos,
a história é escrita com o talento admirável
dos crápulas.
Sou o pior,
sou único
e ninguém pode ser o que sou
melhor do que eu.
Reúno os cacos do que sou
e me imponho à força.
Transformo talheres em armas brancas,
gravetos em barcos,
trapos em velas.
Quem há de me deter?
Senhor, me alcance se puder!
Nunca envelhecerei
para sentir remorsos.
Jamais serei uma piada
no humor negro de Deus.


Leandro Wirz nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 24 de agosto de 1968. É bancário e publicitário.

Crime e Castigo

A obra-prima de Fiódor Dostoiévski é considerada um clássico da literatura universal. Publicada em 1866, a narrativa russa influenciou grandes pensadores do final do século XIX e começo do século XX como George Orwell, Aldous Huxley e Friedrich Nietzsche, cujas obras investigam a condição humana, seus aspectos psicológicos e sociológicos.

Raskólnikov é um jovem ex-estudante de Direito, pobre e solitário. Em meio às suas introspecções e reflexões sobre a vida, Raskólnikov formula a tese de que o mundo é dividido entre pessoas ordinárias e extraordinárias, ou seja, pessoas que respeitam o status quo e outras que, assim como César e Napoleão, são considerados grandes heróis ainda que tenham cometido delitos. Acreditando pertencer à classe dos extraordinários, Raskólnikov planeja um assassinato.

Após cometido o crime, emoções diversas, que não estavam previstas, acometem Raskólnikov. Essa angústia o consome e o faz questionar sobre fatores que implicam diretamente em sua tese, e até se ele, no final das contas, não seria alguém extraordinário.

Para os amantes da filosofia moderna, Crime e Castigo é leitura básica. Se você não está acostumado com um livro denso, não perca as esperanças; vai valer a pena!

*capa da editora 34

Mãe

O que é ser mãe? Para nós do No olhar do Satélite, mãe é aquela que cria, que educa, que cuida. Mãe é aquela que se preocupa, que se sacrifica, que ama incondicionalmente. Mãe é aquele ser companheiro, com quem se pode contar nos momentos difíceis.

A figura materna surge em suas mais diferentes formas e, nem por isso, deixa de ser um ato lindo e altruísta. Parabéns a todas as mães de criação!

Os Vingadores

O blockbuster mais aguardado de 2012 chegou aos cinemas com tudo. Com uma arrecadação de mais de US$1,348 bilhões, Os Vingadores (“The Avengers”) é o filme com a terceira maior bilheteria de todos os tempos, perdendo somente para Avatar e Titanic. A sequência da franquia, Os Vingadores: Era de Ultron estreou nas telonas brasileiras na quinta passada e, em quatro dias, já atraiu mais de 2,5 milhões de pessoas aos cinemas.

Os Vingadores conta a história de seis super-heróis de personalidades fortes e distintas que são chamados pela S.H.I.E.L.D., uma organização secreta, para salvar a Terra de uma guerra comandada por Loki. São eles: Thor, Capitão América, Homem de Ferro, Hulk, Gavião Arqueiro e a Viúva Negra.

O filme investe em muitas cenas de ação e diálogos divertidos, o que agradou grande parte do público. Recomenda-se assistir aos filmes sobre os heróis, as animações já feitas ou até ler os quadrinhos antes checar Os Vingadores para entender melhor as piadas e ironias.

Crônica: Gol Infiel

de José Antônio Diniz de Oliveira

O dia, a princípio, era dela. Do aniversário. Tinha que ser o dele também. Domingo de muito sol. De futebol, sorveteiro e torcida. A bola era branca, o time era azul (a tarde era azul!), o campo era o da Santa Lídia.

A bola veio alta dos pés do Paulinho, parabólico passe. Caiu na direita (que não era a principal), triscou na trave e saiu.

Começo de jogo, primeiro lance bonito. Fez força para não olhar a arquibancada e arrancar-lhe alguma reação. Guardou o gesto para o instante maior.

Humberto rouba a bola no meio de campo e tabela. Quatro trocas de passes e a meia lua já ficava para trás. Na saída do goleiro, a ginga e o toque, sutil, em direção ao canto esquerdo do gol. Gol que o beque salvou em cima da linha. Escanteio.

Tadeu ajeita a bola e nem toma distância. Ele se coloca entre as áreas pequena e grande, no lado oposto, mão na cintura, olhar no chão, dissimulando o beque. É no segundo pau que ela vai cair. Mas não cai, porque se encontra com ele no alto. Corpo ereto, olhos abertos, testada certeira. Lance perfeito, mas inconcluso, porque momento de brilho do goleiro, abraçador de bola e de outros sonhos.

O sol enchia o campo da sombra dos eucaliptos. Não era tanto dele assim o dia. Seria. O artilheiro ajeita a língua da chuteira e ergue o meião molhado que o elástico já não segura. E se lembra dos cinco gols do último domingo, contra o Martinica, e aquele criouléu da defesa que ralava até a mãe. Mas se lembra muito mais da promessa. Um beijo por gol ela daria. (A aposta tinha sido a única forma encontrada para vencer o mais terrível dos beques: a timidez.)

A bola rolava ainda e se encontrava várias vezes com ele. E se transformava em perigo nos seus pés, a cada vez. Mas teimava naquela tarde em lhe determinar precoce a felicidade aos dezesseis anos.

Enxugou o suor na manga da camisa e partiu em contra-ataque atrás do lançamento, vencendo os beques. Na corrida alguns, no drible os outros. Avançou, foi derrubado, levantou e seguiu obstinado para a hora do disparo: nem muito cedo e muito menos tarde. No ponto certo: um chute seco e rasteiro, indefensável, que passando o goleiro partiu para encontrar a rede pelo lado de fora.

Não era falta de fôlego a garganta seca. Esperava pelo menos que ela compreendesse o esforço e a fatalidade da tarde. Nem o destino explicaria. Nada explicaria. Ninguém explica o gosto de um gol perdido, como de um beijo ninguém compreende a perdição.

O sol pintou de sombra o campo todo. A tarde ia embora mais veloz que normalmente. A bola subiu pela última vez para cair no apito final.

Enquanto isso, no outro lado do mundo – o feminino -, Catarina se distraía com o papel do último sorvete, interessada que estava, mas no discreto lateral direito, camisa dois, que quase não pegou a bola.


José Antônio Diniz de Oliveira ficou em 2º lugar no Concurso Clarice Lispector de Crônica de 1996 com o texto Gol Infiel. José Antônio nasceu em dia 21 de março de 1956 em Piracicaba, interior de São Paulo, e é bancário. Viveu em São Paulo e atualmente reside no Rio de Janeiro.

Sem Título-1

Festa Portuguesa

A primeira Festa Portuguesa do Satélite aconteceu em 1992, na unidade de Itanhaém. A festa lusitana fazia parte da programação “Noites Típicas”, projeto que organizou diferentes festas temáticas para que o associado experienciasse a culinária e a música tradicional de diversos países.

A apresentação ilustre da noite foi da cantora Adélia Pedrosa, uma das melhores intérpretes da música portuguesa no Brasil. Além do famoso fado de Adélia, comidinhas típicas de Portugal como o caldo verde, o bolinho de bacalhau e o vinho português contribuíram para trazer mais da cultura lusitana para dentro do Clube.