O todo poderoso (2003)

Se você tivesse a oportunidade de ser Deus, o que você faria? Ajudaria a quem precisa ou pensaria apenas nos próprios problemas?

Com a maior bilheteria do ano de 2003, arrecadando R$ 484 milhões pelo mundo inteiro, o filme O todo poderoso tem como protagonistas os renomados atores Jim Carrey e Morgan Freeman, o que garante, com certeza, boas risadas. Além disso, recebeu 2 indicações ao MTV Movie Awards, nas seguintes categorias: Melhor Comediante (Jim Carrey) e Melhor Beijo (Jim Carrey e Jennifer Aniston).

No filme, Bruce Nolan (Carrey) é o repórter do jornal da sua cidade e tem a ambição de ser o âncora. Mas por considerá-lo muito engraçado para o cargo, o dono da emissora não permite. Frustrado, Bruce começa a questionar Deus e a ridicularizá-lo. Deus (Freeman), então, resolve aparecer para ele em forma humana e enquanto Ele tira férias, deixa todos os poderes divinos nas mãos de Bruce.

Sem experiência alguma no cargo, o repórter se atrapalha com os poderes, mesmo quando resolve, de início, usar todo esse poder para benefício próprio e tentar obter tudo o que ele sempre desejou. Entre uma trapalhada e outra, ele percebe o quanto é difícil a missão de ser onipresente, onisciente e onipotente.

O filme mescla o drama com humor, o que o torna leve e de fácil entendimento para todas as idades. Além disso, muitos dos comportamentos que o personagem tem é o comportamento das pessoas no cotidiano. Em 2007, foi lançada a sequência do filme, que leva como título “A volta do todo poderoso”, o qual o ator principal é Steve Carell, que também faz uma participação no primeiro filme como o âncora do jornal em que Bruce trabalha.

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Flash

Maria Eunice Duarte Cherberle

 Flash! Nasce, do nada, a poesia.
Há um ontem outonal
querendo florir em versos,
a tecer relembranças atávicas,
espoucando no hoje.

No princípio era o verbo
e agora continua a ser,
a busca da palavra certa
no tempo incerto e momentâneo
em que brota a inspiração.

A mente pede o papel
e o verso jorra quente,
ejaculado de emoções vividas,
ovuladas no canto da memória.

Flash! Nasce, do nada, a luz.

Pressinto suspiros, vibrações e anseios,
uma seiva latente inundando meu ser
de rosa molhada, ferida de espinhos,
chorando as lágrimas da alma.
Décadas de vida coroam meu portal:

medo do que fui, a ambição do que serei,
não mais esfinge nem vestal,
sinhá ou escrava, deusa ou mulher,
só Dom Quixote do mundo.

Meus dedos, testemunhas caladas,
tocam letras entrelaçadas do velho lençol bordado
que cobriu nossos destinos de casal enamorado.

Chinelos pisam soalhos barrocos,
há asas de anjo espreitando meu canto,
dizendo que a vida no seu ocaso
não tem retorno, é dese
ncanto
porque ning
m rasga a saudade.

Eis aí o tema do meu poema:
jogar com a vida como jogo com as palavras.
Morram as tristezas, todos os soluços
num velório diferente de risos e alvoradas.

Flash!
Borboleta risonha, quero guardar o encanto
deste instante em que renasço
das frestas do sonho, em fagulhas de luz.


Maria Eunice Duarte Cherberle nasceu em 16 de junho de 1941 em Pouso Alegre (MG), cidade onde vive. É advogada e professora de Línguas e Literatura.

 

A vida privada das árvores

Quer que a gente invente outra história da Vida privada das árvores? Quero, responde Daniela. E Julián assente, chateado, pois está com dor nos olhos, nos ouvidos, não sabe direito: gostaria de dormir, de repente, irresponsavelmente, e acordar amanhã, ou ontem, renovado.

A vida privada das árvores é o segundo livro do autor Alejandro Zambra, eleito um dos 22 melhores jovens escritores hispano-americanos da atualidade. Seu primeiro romance, Bonsai, ganhou o prêmio da crítica e o prêmio do conselho nacional do livro.

Já no segundo livro, espera é a palavra-chave que desenvolve a trama. Julián é o personagem principal e leva uma vida comum. É professor universitário, aspirante a escritor, mora com sua esposa Verônica e sua enteada Daniela. Em determinada noite, enquanto espera sua esposa chegar, Julián começa a contar para Daniela histórias sobre as árvores, a fim de passar o tempo. Mas quando a espera se prolonga, as histórias que o escritor conta para a menina se misturam em histórias do seu próprio passado e sua imaginação começa a inventar um futuro, já desconsiderando a existência de sua esposa.

A maneira como a obra é escrita, faz o leitor sentir que está ouvindo uma história, sentado em um café na companhia de um amigo. O autor permite que aquele que lê use a imaginação para fantasiar o final e recriar as possibilidades. Curto e dinâmico, o romance tem menos de oitenta páginas e pode ser totalmente degustado em poucas horas.

Marina

A sede náutica do Satélite, inaugurada em julho de 1997, comemora seu 18º aniversário este sábado. Localizada à margem do Rio Itanhaém, a unidade contava com um barco do Clube que levava os associados para passeios turísticos e para pesca.

Além do grande galpão, a sede ainda dispõe de oito apartamentos, dois vestiários, churrasqueira e um salão para festas. Durante o ano, a Marina cede seu espaço para a realização de diversos eventos, como, por exemplo, a tradicional Festa da Tainha.

Roteiro MIS – Museu da imagem e do som

O Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo é sede de várias exposições importantes. Um exemplo disso foi a exposição do Castelo Rá-tim-bum que recebeu pessoas de diversos lugares do Brasil. Com prioridade em exposições de cinema e fotografia, o museu é referência em uso de tecnologia e possibilidades de experiências sensoriais. Se você ainda não conhece, destacamos três exposições que estão disponíveis atualmente no Museu:

Exposição Nova fotografia – Vivendo o mar

Na terceira edição da mostra do projeto Nova fotografia 2015, o fotógrafo Durvile Cavalcanti retrata a costa brasileira e os pequenos vilarejos de pescadores. O objetivo é mostrar a pesca artesanal, prática cada vez mais rara devido ao crescimento da pesca industrial e a degradação do meio ambiente.

As fotos passam a sensação de contraste, já que estamos tão habituados as tecnologias e ao consumismo exacerbado, enquanto os pescadores vivem em total simplicidade, utilizando de métodos que herdaram de seus pais e avós e que pretendem passar para as próximas gerações.

Até o dia 26 de julho

Espaço Nicho

Gratuito

Exposição Sombras secas

A exposição Sombras Secas do fotógrafo Marcelo Greco é composta por 35 fotos em preto e branco e é um recorte do livro homônimo, lançado no dia da abertura da exposição (2 de julho). As fotos retratam cenas escuras da cidade onde o fotógrafo vive, com o objetivo de despertar os sentidos sensoriais daqueles que as observam. As imagens provocam o inconsciente e estabelecem uma relação com os sonhos e com o imaginário social.

Até o dia 23 de agosto

Espaço expositivo térreo

Gratuito

Exposição Truffaut: Um cineasta apaixonado

Até o dia 18 de outubro, o MIS apresenta exposição sobre o trabalho do cineasta francês Truffaut, considerado uma das principais figuras do movimento Nouvelle Vague, um movimento de cineastas que realizaram produções autorais modestas.

A exposição, que pertence à cinemateca francesa e que pela primeira vez está sendo exibida fora de seu local de origem, apresenta mais de 600 itens, como fotos, desenhos, livros e roteiros que refletem a vida do cineasta, possibilitando ao visitante experiências sensoriais.

Nesta exposição, alguns documentos descobertos pela família de Truffaut e que nunca foram vistos, são apresentados pela primeira vez.

Até o dia 18 de outubro

Espaços variados

R$ 10,00 (inteira) R$ 5,00 (meia)

Terça-feira gratuito

O Museu da Imagem e do Som de São Paulo se localiza na avenida Europa, 158 – Jardim Europa.

O fruto permitido

Vera Lúcia de Angelis

Cheiro de frutas se misturando na madrugada. Portas fechadas. O pêssego e a manga disputam maior evidência. Me atacam libidinosamente. O estômago ronca de vontade. Na escuridão, imagino todas elas se abraçando nas fruteiras. Uma de cada lado do caminho largo da cozinha. Ameixas, nectarinas e as cotidianas: banana, laranja e mamão. Eu, que as procuro somente em caso de sede, me delicio com a salada de cheiros. Frutas de festa. Fim de ano. Dezembro.

Saio de uma confraternização, entro em outra. A ressaca implora o sumo. Néctar descendo pela garganta e pelo queixo da boca desajeitada. Necessidade de lamber os dedos e inclinar o corpo para evitar o desastre de manchar a roupa nova.

Mas resisto. É hora de dormir e preparar o estômago para o café das 11 horas. Depois, almoço, compras e mais três festas neste sábado já pela metade.

O estômago ronca, os olhos marejam. Sono.

Balanço num pé de pêssegos. Estão verdes e altos, mas o cheiro inunda a tarde ensolarada.

Para frente e para trás. Vai doer o pescoço se eu deixar a cabeça pendendo para trás o tempo todo. Gostoso ver o céu no meio da árvore. Os arbustos mudam de forma assumindo o papel de vários rostos que me observam lá de cima. Todos comendo pêssegos.

-Quer um pedaço?

-Não, obrigada.

As cordas do balanço apertam minhas nádegas. Tornou-se pequeno para uma mulher beirando os 40 anos. Não consigo descer. Estou presa. Dedos finos erguem meu queixo para a posição anterior. Deus. Meu pai. Agora minha mãe, no fogão, suando muito. Depois, meus amantes, num desfile cronológico. Escurece.

Cheiro de casa pintada recentemente. Frango assado de véspera de Natal. Não gostamos de peru em casa. Mas ainda é cedo. Ainda não chegaram as uvas no mercado. Desço do balanço, finalmente, para ir até minha casa.

O terreno está vazio. Restam garrafas de champanhe, vazias. Quero voltar para o cheiro de pêssego, mas alguém segura meu braço, passa a mão no meu pescoço e me beija violentamente. O ar me escapa.

Desperto na areia de um rio. Minha roupa de festa amassada. Calça pantalona, acetinada, branca de Réveillon. Já passou? Blusa champanhe, cavada, com botões forrados do mesmo cetim da calça. Sapatos de salto moderado, porém fino. Nada de brincos, a não ser o incômodo de quem acaba de tirá-los. Pressão nos lóbulos róseos.

Levanto do chão molhado. Orvalho. Uma mão me ajuda. Olhos nos olhos. Quem é ele? Papai Noel castanho para combinar com meu cabelo negro. Seu rosto tem mil imagens, como o pessegueiro. Reviravoltas e ele assume a revelação de uma só paixão. Atual e consagrada.

– É ele quem eu amo.

Eu já sabia e não me dizia. Em carne e osso a constatação. Ele ausente. Quem sabe do outro lado do rio? Atravesso sem barco, nem nado. Por milagre. Uma casa enorme me espera. Luzes de vela, fitas e bolas de natal nas janelas. Um anjo me abre a porta. Cabelos negros, longos e um gesto zen.

–Seja bem-vinda. Toque o sino antes de entrar.

Acendo uma vela a um desejo, guardado no ritual da cera quente.

– É ele quem eu amo. A ele desejo felicidade.

Abandono a festa com uma flor na mão. Ninguém me espera no jardim de guirlandas e camélias. Alguma coisa roça a minha perna na caminhada. Uma saia de crepe vermelho, rodada até os tornozelos. Quem me vestiu assim? Rosa no cabelo, sou bela e morena.

A mão de um bailarino me leva ao sonho flamenco. Carmen e castanholas. A emoção me congela. Paro e assisto. O cabelo longo, a cabeça olhando os pés na curva da dança. É o anjo com sotaque espanhol, em seu corpo vigoroso. Toureiro do meu amor, é como um filme. Me derrota, me apunhala com sua espada de ouro. O sangue jorra dentro de mim em rios caudalosos de febre e paixão.

– É ele quem eu amo.

Mas não há beijos. Desapareço para a valsa de um casebre abandonado. Nada de rios. Pastagens. Porcos e frutas, de novo. Jaqueira no sítio abandonado. Romantismo nenhum nessa fruta gigantesca. Grotesca. O cheiro me enjoa. Quero o pêssego. Amo o amarelo das frutas: damasco, orvalho, laranja. Passa um moleque lambuzado de manga.

– Onde a mangueira?

Ele não responde. Desisto. Barulho de panelas dentro de casa. Quem sabe minha avó, bonachona e roliça, em seu avental de natal. O caseiro, de costas, acendendo o forno a lenha. No tacho, o queijo branco esperando descanso. Vira-se para mim com um ar nem um pouco rude. É o anjo. O sorriso da festa. Magia.

– Bom dia

Meu coração pula. Mais ninguém por perto e a sua mão na minha. Cheiro de galinha assada e molho com cebola. Sua boca cheira pêssego, eu sei, mas não sinto. Se afasta de mim. Não está mais ali. Está num jardim de rosas e leões de pedra, dançando uma valsa. Traz alguém pela mão, vestido em branco. Lindo. Não vejo meu cabelo nem meu corpo rodeado por seus braços. Mera espectadora de um amor que brota nessa noite quente. É meia-noite. Eles se beijam. Na virada do ano o casal rodopia. Uma próxima volta e vejo o rosto do amante. Um garoto moreno e pele alva. Cheira a leite e juventude.

Tropeço no pé de uma estátua branca. Uma mulher grega olhando o céu. Em sua mão aberta colocaram algo: um pêssego. Seu perfume me atrai, finalmente. Devoro-o, deliciosamente, como o primeiro no mundo. Cai a chuva de verão e se mistura com o néctar no meu pescoço. Seios, ventre. Os segredos do meu sexo espalhados pelo corpo, como o sumo dos deuses. O fruto do amor que me alivia e recupera.

Desperto com o perfume da fruta me invadindo. Adormecera com a cabeça apoiada na fruteira. Esqueço as obrigações de dezembro. Deixo o relógio correr à vontade. Faca na mão. Para quê?

A primeira mordida molha toda a minha boca e escorre dos cantos pela garganta afora. Falta somente a chuva do sonho. Amor tenho de sobra. Será?

O auto da compadecida (2000)

Um dos maiores sucessos do cinema brasileiro, O auto da compadecida, é parte da lista de filmes obrigatórios para aqueles que gostam de comédia misturada com drama. O filme recebeu o Grande Prêmio Cinema Brasil para: melhor diretor com Guel Arraes, melhor ator com Matheus Nachtergaele, melhor roteiro e melhor lançamento.

A história é baseada na peça teatral “Auto da compadecida” de Ariano Suassuna. Toda a trama se passa no sertão da Paraíba e tem como personagens principais João Grilo (Matheus Nachtergaele), um sertanejo conhecido por suas mentiras; e Chicó (Selton Mello), o maior covarde da região. Juntos, os dois tentam arranjar formas de ganhar dinheiro as custas dos outros.

Durante uma de suas tentativas, os amigos tentam enganar Severino (Marco Nanini) e seu comparsa, o que gera uma discussão e a morte de João Grilo e Severino. Chegando ao julgamento final, Nossa Senhora (Fernanda Montenegro), a compadecida, é quem decide o destino dos personagens. Quando o telespectador acha que acabou, a história dá uma reviravolta e surpreende a todos.

Usando de humor e leveza, a realidade de muitos sertanejos é retratada na história. Chicó e João, em meio a seca e a pobreza, tentam dar um jeito de conseguir sobreviver usando o que lhes resta; a inteligência, em terras onde o poder está nas mãos daqueles que possuem dinheiro e bens e defendem apenas seus interesses.

Além dos personagens principais, o filme também conta com a participação de atores renomados como Fernanda Montenegro, Denise Fraga, Luis Melo, Lima Duarte e Paulo Goulart e antes de ser adaptado para o cinema, em 2000, foi uma série de televisão exibida um ano antes.