Roteiro MIS – Museu da imagem e do som

O Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo é sede de várias exposições importantes. Um exemplo disso foi a exposição do Castelo Rá-tim-bum que recebeu pessoas de diversos lugares do Brasil. Com prioridade em exposições de cinema e fotografia, o museu é referência em uso de tecnologia e possibilidades de experiências sensoriais. Se você ainda não conhece, destacamos três exposições que estão disponíveis atualmente no Museu:

Exposição Nova fotografia – Vivendo o mar

Na terceira edição da mostra do projeto Nova fotografia 2015, o fotógrafo Durvile Cavalcanti retrata a costa brasileira e os pequenos vilarejos de pescadores. O objetivo é mostrar a pesca artesanal, prática cada vez mais rara devido ao crescimento da pesca industrial e a degradação do meio ambiente.

As fotos passam a sensação de contraste, já que estamos tão habituados as tecnologias e ao consumismo exacerbado, enquanto os pescadores vivem em total simplicidade, utilizando de métodos que herdaram de seus pais e avós e que pretendem passar para as próximas gerações.

Até o dia 26 de julho

Espaço Nicho

Gratuito

Exposição Sombras secas

A exposição Sombras Secas do fotógrafo Marcelo Greco é composta por 35 fotos em preto e branco e é um recorte do livro homônimo, lançado no dia da abertura da exposição (2 de julho). As fotos retratam cenas escuras da cidade onde o fotógrafo vive, com o objetivo de despertar os sentidos sensoriais daqueles que as observam. As imagens provocam o inconsciente e estabelecem uma relação com os sonhos e com o imaginário social.

Até o dia 23 de agosto

Espaço expositivo térreo

Gratuito

Exposição Truffaut: Um cineasta apaixonado

Até o dia 18 de outubro, o MIS apresenta exposição sobre o trabalho do cineasta francês Truffaut, considerado uma das principais figuras do movimento Nouvelle Vague, um movimento de cineastas que realizaram produções autorais modestas.

A exposição, que pertence à cinemateca francesa e que pela primeira vez está sendo exibida fora de seu local de origem, apresenta mais de 600 itens, como fotos, desenhos, livros e roteiros que refletem a vida do cineasta, possibilitando ao visitante experiências sensoriais.

Nesta exposição, alguns documentos descobertos pela família de Truffaut e que nunca foram vistos, são apresentados pela primeira vez.

Até o dia 18 de outubro

Espaços variados

R$ 10,00 (inteira) R$ 5,00 (meia)

Terça-feira gratuito

O Museu da Imagem e do Som de São Paulo se localiza na avenida Europa, 158 – Jardim Europa.

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O fruto permitido

Vera Lúcia de Angelis

Cheiro de frutas se misturando na madrugada. Portas fechadas. O pêssego e a manga disputam maior evidência. Me atacam libidinosamente. O estômago ronca de vontade. Na escuridão, imagino todas elas se abraçando nas fruteiras. Uma de cada lado do caminho largo da cozinha. Ameixas, nectarinas e as cotidianas: banana, laranja e mamão. Eu, que as procuro somente em caso de sede, me delicio com a salada de cheiros. Frutas de festa. Fim de ano. Dezembro.

Saio de uma confraternização, entro em outra. A ressaca implora o sumo. Néctar descendo pela garganta e pelo queixo da boca desajeitada. Necessidade de lamber os dedos e inclinar o corpo para evitar o desastre de manchar a roupa nova.

Mas resisto. É hora de dormir e preparar o estômago para o café das 11 horas. Depois, almoço, compras e mais três festas neste sábado já pela metade.

O estômago ronca, os olhos marejam. Sono.

Balanço num pé de pêssegos. Estão verdes e altos, mas o cheiro inunda a tarde ensolarada.

Para frente e para trás. Vai doer o pescoço se eu deixar a cabeça pendendo para trás o tempo todo. Gostoso ver o céu no meio da árvore. Os arbustos mudam de forma assumindo o papel de vários rostos que me observam lá de cima. Todos comendo pêssegos.

-Quer um pedaço?

-Não, obrigada.

As cordas do balanço apertam minhas nádegas. Tornou-se pequeno para uma mulher beirando os 40 anos. Não consigo descer. Estou presa. Dedos finos erguem meu queixo para a posição anterior. Deus. Meu pai. Agora minha mãe, no fogão, suando muito. Depois, meus amantes, num desfile cronológico. Escurece.

Cheiro de casa pintada recentemente. Frango assado de véspera de Natal. Não gostamos de peru em casa. Mas ainda é cedo. Ainda não chegaram as uvas no mercado. Desço do balanço, finalmente, para ir até minha casa.

O terreno está vazio. Restam garrafas de champanhe, vazias. Quero voltar para o cheiro de pêssego, mas alguém segura meu braço, passa a mão no meu pescoço e me beija violentamente. O ar me escapa.

Desperto na areia de um rio. Minha roupa de festa amassada. Calça pantalona, acetinada, branca de Réveillon. Já passou? Blusa champanhe, cavada, com botões forrados do mesmo cetim da calça. Sapatos de salto moderado, porém fino. Nada de brincos, a não ser o incômodo de quem acaba de tirá-los. Pressão nos lóbulos róseos.

Levanto do chão molhado. Orvalho. Uma mão me ajuda. Olhos nos olhos. Quem é ele? Papai Noel castanho para combinar com meu cabelo negro. Seu rosto tem mil imagens, como o pessegueiro. Reviravoltas e ele assume a revelação de uma só paixão. Atual e consagrada.

– É ele quem eu amo.

Eu já sabia e não me dizia. Em carne e osso a constatação. Ele ausente. Quem sabe do outro lado do rio? Atravesso sem barco, nem nado. Por milagre. Uma casa enorme me espera. Luzes de vela, fitas e bolas de natal nas janelas. Um anjo me abre a porta. Cabelos negros, longos e um gesto zen.

–Seja bem-vinda. Toque o sino antes de entrar.

Acendo uma vela a um desejo, guardado no ritual da cera quente.

– É ele quem eu amo. A ele desejo felicidade.

Abandono a festa com uma flor na mão. Ninguém me espera no jardim de guirlandas e camélias. Alguma coisa roça a minha perna na caminhada. Uma saia de crepe vermelho, rodada até os tornozelos. Quem me vestiu assim? Rosa no cabelo, sou bela e morena.

A mão de um bailarino me leva ao sonho flamenco. Carmen e castanholas. A emoção me congela. Paro e assisto. O cabelo longo, a cabeça olhando os pés na curva da dança. É o anjo com sotaque espanhol, em seu corpo vigoroso. Toureiro do meu amor, é como um filme. Me derrota, me apunhala com sua espada de ouro. O sangue jorra dentro de mim em rios caudalosos de febre e paixão.

– É ele quem eu amo.

Mas não há beijos. Desapareço para a valsa de um casebre abandonado. Nada de rios. Pastagens. Porcos e frutas, de novo. Jaqueira no sítio abandonado. Romantismo nenhum nessa fruta gigantesca. Grotesca. O cheiro me enjoa. Quero o pêssego. Amo o amarelo das frutas: damasco, orvalho, laranja. Passa um moleque lambuzado de manga.

– Onde a mangueira?

Ele não responde. Desisto. Barulho de panelas dentro de casa. Quem sabe minha avó, bonachona e roliça, em seu avental de natal. O caseiro, de costas, acendendo o forno a lenha. No tacho, o queijo branco esperando descanso. Vira-se para mim com um ar nem um pouco rude. É o anjo. O sorriso da festa. Magia.

– Bom dia

Meu coração pula. Mais ninguém por perto e a sua mão na minha. Cheiro de galinha assada e molho com cebola. Sua boca cheira pêssego, eu sei, mas não sinto. Se afasta de mim. Não está mais ali. Está num jardim de rosas e leões de pedra, dançando uma valsa. Traz alguém pela mão, vestido em branco. Lindo. Não vejo meu cabelo nem meu corpo rodeado por seus braços. Mera espectadora de um amor que brota nessa noite quente. É meia-noite. Eles se beijam. Na virada do ano o casal rodopia. Uma próxima volta e vejo o rosto do amante. Um garoto moreno e pele alva. Cheira a leite e juventude.

Tropeço no pé de uma estátua branca. Uma mulher grega olhando o céu. Em sua mão aberta colocaram algo: um pêssego. Seu perfume me atrai, finalmente. Devoro-o, deliciosamente, como o primeiro no mundo. Cai a chuva de verão e se mistura com o néctar no meu pescoço. Seios, ventre. Os segredos do meu sexo espalhados pelo corpo, como o sumo dos deuses. O fruto do amor que me alivia e recupera.

Desperto com o perfume da fruta me invadindo. Adormecera com a cabeça apoiada na fruteira. Esqueço as obrigações de dezembro. Deixo o relógio correr à vontade. Faca na mão. Para quê?

A primeira mordida molha toda a minha boca e escorre dos cantos pela garganta afora. Falta somente a chuva do sonho. Amor tenho de sobra. Será?

O auto da compadecida (2000)

Um dos maiores sucessos do cinema brasileiro, O auto da compadecida, é parte da lista de filmes obrigatórios para aqueles que gostam de comédia misturada com drama. O filme recebeu o Grande Prêmio Cinema Brasil para: melhor diretor com Guel Arraes, melhor ator com Matheus Nachtergaele, melhor roteiro e melhor lançamento.

A história é baseada na peça teatral “Auto da compadecida” de Ariano Suassuna. Toda a trama se passa no sertão da Paraíba e tem como personagens principais João Grilo (Matheus Nachtergaele), um sertanejo conhecido por suas mentiras; e Chicó (Selton Mello), o maior covarde da região. Juntos, os dois tentam arranjar formas de ganhar dinheiro as custas dos outros.

Durante uma de suas tentativas, os amigos tentam enganar Severino (Marco Nanini) e seu comparsa, o que gera uma discussão e a morte de João Grilo e Severino. Chegando ao julgamento final, Nossa Senhora (Fernanda Montenegro), a compadecida, é quem decide o destino dos personagens. Quando o telespectador acha que acabou, a história dá uma reviravolta e surpreende a todos.

Usando de humor e leveza, a realidade de muitos sertanejos é retratada na história. Chicó e João, em meio a seca e a pobreza, tentam dar um jeito de conseguir sobreviver usando o que lhes resta; a inteligência, em terras onde o poder está nas mãos daqueles que possuem dinheiro e bens e defendem apenas seus interesses.

Além dos personagens principais, o filme também conta com a participação de atores renomados como Fernanda Montenegro, Denise Fraga, Luis Melo, Lima Duarte e Paulo Goulart e antes de ser adaptado para o cinema, em 2000, foi uma série de televisão exibida um ano antes.

Auto da barca do inferno

Muitos já leram o livro Auto da barca do inferno, de Gil Vicente, por necessidade. Seja para prestar o vestibular, seja para uma prova escolar. Mas o fato é: mesmo sendo escrito em 1517, a obra não deixa de ser atual. Essa característica é dada pelos temas que são tratados, como corrupção, avareza e luxúria, e pelos personagens presentes. Além disso, o livro possui um toque de humor por fazer uso de sátiras da sociedade portuguesa. Os leitores que gostam de livros tradicionais não podem deixar de ler!

A obra é dividida em cenas e toda a história se passa em um porto; nele há duas barcas; a barca que leva os tripulantes ao paraíso, com um anjo em seu comando, e a barca que leva os tripulantes ao inferno, com um Diabo e seu assistente. Assim, ocorre o julgamento das almas, de acordo com as suas ações em vida, uma por vez, assim que lá chegam. Cada personagem não é identificado pelo nome, mas sim representado por meio de objetos que carregam uma classe social, ou uma crença ou uma profissão da época.

Além disso, personagens como o fidalgo, a alcoviteira e o judeu trazem uma simbologia e uma associação a algum acontecimento ocorrido, como é o exemplo do último, que ao chegar no porto não é aceito na barca do paraíso por não aceitar o cristianismo e só é aceito na barca do inferno sob condição de ir rebocado, fora da barca. Esse paralelismo remonta ao século XV, onde muitos judeus foram expulsos de Portugal devido a sua crença. Aqueles que permaneceram tiveram que se converter ao cristianismo.

Trecho de uma fala do onzeneiro (espécie de agiota da época):

“Olá, ó demo barqueiro!
Sabeis vós no que me fundo
Quero lá tornar ao mundo
E trarei o meu dinheiro
Aqueloutro marinheiro
Porque me vê vir sem nada
Dá-me tanta borregada
Como arrais lá do barreiro”

*capa da editora FTD

Ginastas Soviéticos

Em dezembro de 1991, um pouco antes da dissolução da União Soviética, os ginastas da URSS (CCCP) fizeram uma apresentação na quadra poliesportiva da unidade de Itanhaém.

1991-490Os atletas da Ginástica Artística fizeram séries em barras paralelas, cavalo com alça, trave e saltos sobre o cavalo. Já os da Ginástica Rítmica mostraram sua elasticidade e habilidades com a bola, arco e fita. Atletas mirins do grupo de Ginástica Olímpica da AABB também participaram do evento.

46º Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão

Consolidado como o maior e mais importante festival de música clássica da América Latina, o 46o Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão já começou e tem uma recheada programação até o dia 2 de agosto.

Importantes nomes como Eleazar de Carvalho, Magda Tagliaferro, Yehudi Menuhin e Hugh Ross já marcaram presença no festival. Além dos músicos, dezenas de milhares de pessoas de todas as partes do Brasil e do mundo prestigiam o evento que conta com a participação de mais de três mil artistas.

Os visitantes poderão assistir a apresentações como a da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo no dia 18 de julho e da banda do Exército no dia 25 de julho. Ambas ocorrerão na praça do Capivari e são gratuitos. 

Além das apresentações, o festival também conta com uma programação pedagógica. Aulas e masterclasses são oferecidas por importantes nomes da música a jovens músicos, sendo assim, um grande passo para seu aperfeiçoamento. São oferecidas 144 bolsas de estudos que dão acesso às aulas de instrumento, composição, regência, prática de orquestra e música de câmara.

A programação completa pode ser encontrada no site: http://www.festivalcamposdojordao.org.br/programacao/

Jurassic World

No dia 11 de junho aconteceu a estreia do quarto filme da franquia de Jurassic Park, que leva o nome de Jurassic World – o mundo dos dinossauros. Diferente do que aconteceu nos outros filmes, Steven Spielberg tomou a decisão de não participar da direção, mas atuar como produtor-executivo. O filme está entre as cinco maiores bilheterias mundiais por atingido a marca de R$ 1.385 bilhões. Além disso, conquistou o título de maior arrecadação em estreia da história do cinema com 511 milhões de dólares.

No filme, o parque dos dinossauros finalmente é aberto ao público. Como a maioria dos dinossauros agora está domesticada, as pessoas podem participar de atividades próximas aos animais e assistir a shows acrobáticos. Por dez anos o parque é um sucesso, mas uma queda no público visitante faz com que a equipe de geneticistas, na busca por atrair a atenção das pessoas, realize um experimento que mistura o DNA de quatro tipos de dinossauros e outros tipos de animais. A partir daí, nasce uma criatura feroz que, impulsionada por seus instintos e por nunca ter tido qualquer contato fora de seu isolamento, ataca e aterroriza os visitantes e funcionários.

A partir disso, a doutora Claire (Bryce Dallas Howard) e o treinador Owen (Chris Pratt) com a ajuda dos irmãos Gray (Ty Simpkins) e Zach (Nick Robinson) têm a missão de restabelecer o controle no parque.

Mantendo a linha inteligente dos filmes anteriores, seus efeitos especiais, sua trilha sonora, suas produções gráficas e fazendo diversas referências ao primeiro filme da saga, Jurassic World não perde em nada para as outras edições. A escolha de não usar os mesmos atores partiu do diretor Collin Trevorrow com a justificativa de respeitar os “antecessores” e não conseguir enxergar motivos para eles voltarem à ilha.