Um sonho fascinante

Márcia Miranda Pontes Costa

A madrugada fria me encontrou andando lentamente na areia macia e aconchegante da praia. Divisei um penhasco. Simpatizei com ele. Fui subindo vagarosamente no mesmo passo. Cheguei ao cume e me acomodei muito confortavelmente apesar da estrutura rochosa do local. E embora devesse sentir mais acentuadamente o sabor gélido da brisa, como que por magia, não sentia nenhum. Sentia sim, uma sensação gostosa como se uma pequena mas ardente chama estivesse consumindo meu peito. Cheguei até a olhar. Depois, ri da minha tolice: era saudade…

De repente, como se alguém ou alguma coisa me tivesse intuído para isso, notei a presença soberana do mar. Naquele instante, ele representava, como no começo de tudo, o mundo todo.

O mar tornou-se terrivelmente tormentoso por uns breves instantes e logo após voltava a ser sereno.

O que havia tocado o fundo da minha mente, mostrando-me o mar, aturdiu-me novamente. Ele estava triste. Havia melancolizado-se muito mais.

Eu o sentia, o via como um grande almanaque de imensuráveis folhas. Como um enorme baú e também como um medonho esquife. Nesse, estavam todas as civilizações.

Mas o mar estava lindo. O céu havia limpado. Milhões de pontinhos luminosos refulgiam no alto. A lua brilhava qual holofote; Emitia uma luz intensa e suave e dominava tudo abaixo. Meus olhos encharcados de lágrimas fixaram-se nela. Eu chorava calmamente.

Voltei meu rosto mais para o alto e vi toda a luz existente se condensando, formando uma passarela retilineamente prateada. Enquanto o mar voltava a executar sua doce canção, uma figura para mim muito conhecida veio descendo do feixe luminoso. Notei que meus olhos ainda estavam úmidos. A distância diminuiu bastante e eu pude vê-lo. Estes olhinhos serenos e sinceros neste rostinho que jamais poderia me enganar. Você me sorriu um sorriso lindo que combinava perfeitamente com a noite. Te coloquei em meu colo e ficamos uma eternidade de tempo juntos. Estávamos felizes!

Isso demorou muito, até que a enternecedora sinfonia do mar se transformou bruscamente em acordes graves, terríveis e denunciadores. Alguma coisa nos separou e agora recuava você de mim, lentamente…

A lua sumira, o mar calara-se e você desintegrava, acenando para mim.

Eu chorava, quando um turbilhão de energia me envolveu. Ainda acenava para você. Parecia que tudo tinha acabado.

Porém, alguém veio me despertar. Com o olhar calmo e tranquilo me disse: – vamos, está na hora de partirmos…

Foi quando percebi que tudo havia sido um sonho. Um sonho fascinante!…

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A sombra do vento

Bea diz que a arte de ler está morrendo muito aos poucos, que é um ritual íntimo, que um livro é um espelho e só podemos encontrar nele o que carregamos dentro de nós, que colocamos nossa mente e alma na leitura, e que esses bens estão cada dia mais escassos”.

Cativante. Essa é a palavra que define o livro A sombra do vento, de Carlos Ruiz Zafón. Traduzido para mais de 30 idiomas e distribuído em cerca de 45 países, o livro já passou a marca dos 15 milhões de exemplares vendidos no mundo desde seu lançamento, em 2001.

A história se passa em Barcelona, em 1945. O personagem principal é Daniel Sempere, um menino de 11 anos que vive com seu pai. Daniel perdeu a mãe há alguns anos e certa noite está triste por não lembrar do rosto dela. Então seu pai resolve levá-lo até um lugar chamado Cemitério dos Livros Esquecidos, localizado no centro histórico da cidade e que funciona como abrigo para livros abandonados. Lá, Daniel se apaixona por um livro chamado “A sombra do vento” e parte em busca de mais livros do autor Julián Carax. Então, ele descobre que alguém está queimando todas as obras do autor. O garoto procura saber quem é e os motivos que o levam a fazer isso e acaba descobrindo histórias surpreendentes, cheias de mistérios que prendem o leitor e ensinam o poder que um livro tem.

A narrativa de Zafón é mágica e misteriosa. Desperta vários sentidos e sensações do leitor e é o tipo de livro que você não quer que acabe nunca. O livro foi escrito para ser sentido, para se apaixonar pelos personagens e a forma como os detalhes são descritos, faz o leitor se sentir parte da história.

Além de A sombra do vento, o autor lançou a continuação que leva o nome de “O prisioneiro do céu”. O enredo traz os mesmos personagens protagonistas, mas uma história diferente e se passa no ano de 1957.

A sombra do vento foi finalista de importantes prêmios literários espanhóis como Fernando Lara 2001 e Libreter 2002. Em 2006 ganhou o prêmio Correntes d´Escritas, em Portugal e foi a obra que impulsionou a literatura de Carlos Ruiz Zafón.

Dia dos Pais

Dia 9 de agosto será comemorada uma data muito especial: o dia dos pais. Na imagem da semana de hoje, selecionamos algumas fotos de pais e filhos em momentos de descontração e carinho dentro de nossas unidades.

O Satélite deseja que todos os pais tenham um ótimo dia, seja perto ou longe dos seus filhos, independente de serem grandes ou pequenos. E que as sedes sejam sempre um lugar para unir as famílias em momentos de descontração e sorrisos.

Feliz dia dos pais!

Kandinsky: tudo começa num ponto

Até o dia 29 de setembro, o Centro Cultural do Banco do Brasil recebe a exposição Kandinsky: tudo começa num ponto. A mostra traz informações e objetos sobre a vida e as obras de Wassily Kandinsky, precursor do abstracionismo, assim como os artistas que o influenciaram. O horário de funcionamento é de quarta a sábado das 9h às 21h e a entrada é gratuita.150px-Vassily-Kandinsky

Ao todo, 153 obras e objetos vindos do Museu Estatal Russo de São Petersburgo, do Museu da Rússia e de coleções oriundas da Alemanha, Áustria, Inglaterra e França. A curadoria é por conta de Evgenia Petrova e Joseph Kiblitsky, que já trouxeram a exposição outras vezes para São Paulo, Belo Horizonte, Distrito Federal, entre outras regiões do Brasil.

Kandinsky foi o artista plástico responsável por produzir a primeira tela abstrata no ocidente. Suas influências vem do impressionismo, mais especificamente de uma obra em que Monet retrata um monte de feno.

Centro Cultural do Banco do Brasil

Até 29 de setembro

Quarta a sábado – das 9h às 21h

Gratuita

final do texto

O exorcista

O exorcista aterrizou – e aterroriza muita gente. O filme ultrapassou limites que os filmes de suspense não tinham atingido e causou, além de pânico, muitas filas com pessoas dispostas a descobrirem o lado mais negro do cinema                                                                                                                                          tumblr_mckvmvAzaX1qgx37po1_500

No filme, Chris MacNeil (Ellen Burstyn) percebe em sua filha Regan MacNeil (Linda Blair) um comportamento diferente. Comportamento este que envolve convulsões e poderes sobrenaturais. Depois de vários exames, os médicos sugerem que ela procure um exorcista. Chris, então, resolve consultar o padre Damien Karras (Jason Miller) e a partir daí é que as coisas ficam mais intensas e o suspense toma conta da narrativa, com cenas chocantes e jamais vistas antes no cinema.

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No ano seguinte ao seu lançamento, 1974, o filme foi indicado ao Oscar de melhor filme. Sendo assim, o único filme de terror indicado ao prêmio até hoje. Ganhou o Oscar nas categorias de melhor roteiro e melhor som, além de diversos Globos de Ouro. É reconhecido como o filme de terror que mais arrecadou bilheterias na história do cinema.

Outro ponto que marcou gerações foi a trilha sonora do filme. Carregado de tensão e suspense, a música combinada com as cenas fortes fez muita gente dar gritos no cinema. As imagens do filme ficam impregnadas na memória do público. Mesmo com 40 anos de existência, não deixa de ser um filme atual, que põe medo em muita gente. E ai, vai encarar?tumblr_lt2klfh64C1qlgliqo1_500

Uma série de rumores e boatos se formaram acerca de diversos acidentes e algumas mortes de pessoas relacionadas diretamente e indiretamente ao filme. O mais famoso é o incêndio que aconteceu no set de filmagens e que pausou as gravações por cinco semanas. Até hoje a causa não foi identificada. Outro acontecimento é a morte do ator Jack Macgowran dias depois de concluir as gravações. No filme, o personagem do ator também morre. Ao todo foram nove mortes, incluindo um vigia e um assistente de câmera. Se foi coincidência ou não, não dá para saber. Mas que esses acontecimentos são bem estranhos e ajudaram na publicidade do filme, ninguém pode negar.

Coro Luther King

No próximo sábado, às 21 horas, o foyer do auditório do Ibirapuera receberá uma apresentação da série Cantador, só sei cantar do coro Luther King. A companhia foi ganhadora dos prêmios 40 anos Salva de Prata em 2010, promovido pela Câmara Municipal de São Paulo, e o prêmio da APCA – Associação Paulista de Críticos de Artes – como melhor coro de São Paulo em 2012.

O Satélite está representado por Irene Kabengele, associada do Satélite desde 1985. A carioca, que faz parte do Conselho Editorial do Sateljornal e tem grande envolvimento cultural com o Clube, é uma das vozes mais marcantes do coral.

O repertório é composto por trechos de ópera e conta com obras dos compositores Giuseppe Verdi, Gaetano Donizetti e Gioachino Rossini. A regência fica com Martinho Lutero Galati e tem participação especial do barítono italiano Davide Rocca.

É importante chegar cedo, pois a entrada é por ordem de chegada. O espetáculo é gratuito e livre para todas as idades.Irene 2 cortada

Hamlet

Ser ou não ser, eis a questão

A peça Hamlet do inglês William Shakespeare foi escrita entre 1599 e 1601. O ano ao certo não se sabe. Hamlet é a peça mais elaborada de Shakespeare e possui uma das frases mais famosas da literatura “ser ou não ser, eis a questão”, dita diversas vezes ao longo dos séculos.

Hamlet é a tragédia mais representada e adaptada de Shakespeare e a que mais recebeu interpretações. Importantes pensadores e escritores nos últimos quatro séculos fazem referências à Hamlet e ao impacto que a obra causou em suas próprias vidas e na sociedade.

A trama conta a história do príncipe Hamlet na busca de vingança por seu pai, o rei, morto pelo seu próprio irmão, Cláudio, para assumir o trono e casar-se com a rainha Gertrudes.

Temas como traição, vingança, incesto, corrupção e moralidade são tratados de uma forma melancólica, com características de personagens vistos como obscuros, místicos e misteriosos.